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Centro de Pesquisa Boldrini é inaugurado na Cidade Universitária, em Barão Geraldo

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Espaço é o maior centro focado em câncer pediátrico de toda a América Latina e foi construído e equipado com verba de danos morais do caso Shell-Basf

Centro de Pesquisas Boldrini é inaugurado e vai atuar em estudos em benefício do câncer pediátrico. Unidade é a maior da América Latina – Foto: Divulgação/Boldrini

O maior polo de estudo contra o câncer infantil da América Latina foi inaugurado nesta terça-feira, em Campinas. Ligado ao Centro Infantil Boldrini, hospital filantrópico que atende crianças da região pelo SUS, o Centro de Pesquisas vai desenvolver modalidades de tratamentos, produzir drogas contra a doença, estudar possíveis prevenções e realizar testes de medicamentos já existentes no mercado.

Presidente do Hospital Boldrini, a médica Silvia Brandalise explicou que o Centro deve estudar como fatores ambientais influenciam na ocorrência de câncer, como, por exemplo, contato com metais pesados, vírus e, principalmente, com derivados de benzeno, substância presente em inseticidas.

“Os principais propósitos serão a descoberta de novos princípios ativos. Pegar terapias usadas em adultos para fazer teste clínico em criança, ir atrás de novas modalidades de tratamento, como imunoterapia e terapia gênica”, explicou Silvia.

“Seremos norteados por um tema internacional hoje de que nenhuma criança deve morrer de câncer”.

O Centro poderá testar a eficácia de medicamentos de forma referendada por agentes internacionais – como a União Europeia e a FDA (agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos).

“Nós queremos fazer com que essa instituição seja reconhecida como um selo de qualidade, considerando a expertise dos profissionais que vão liderar [as pesquisas]. Não queremos ouvir um técnico, um político, dizendo que não aceita um teste quando este foi aceito internacionalmente”, ponderou Silvia.

No ano passado, o Boldrini contestou um medicamento chinês importado pelo Ministério da Saúde. Um estudo do hospital indicou que o L-asparaginase produzido na China possuía baixa eficácia, mas o governo manteve a importação na época. Atualmente, o Ministério diz não comprar mais o remédio e repassa verbas aos hospitais, que têm autonomia para decidir as aquisições.

O Centro de Pesquisa Boldrini foi construído e equipado com parte da indenização por danos morais coletivos do caso Shell-Basf, que deu origem ao maior acordo coletivo da história da justiça do trabalho no Brasil, firmado em 2013.

O MPT (Ministério Público do Trabalho) conseguiu comprovar que houve negligência das empresas na proteção de trabalhadores em uma fábrica de agrotóxicos de Paulínia. Sessenta pessoas morreram de câncer em decorrência do episódio.

O órgão optou por reverter parte da indenização em favor da pesquisa e do tratamento do câncer, em alusão à causa das mortes do caso Shell-Basf.

“Essa é uma forma de reverenciar os trabalhadores e mostrar às famílias que as vidas retiradas não foram em vão, servirão para salvar outras vidas”, disse o procurador-geral do MPT, Ronaldo Fleury. O acordo foi fechado em R$ 230 milhões. Do total, R$ 48,3 milhões foram destinados ao Boldrini.

Localizado na Cidade Universitária, em Campinas, o centro de pesquisa conta com 5 mil metros de área construída, laboratórios de tecnologia de ponta para produção de conhecimento nas áreas de epidemiologia, biologia molecular e celular do câncer pediátrico.

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